O que é um Infostealer e como ele rouba seus dados

Um funcionário abre um instalador de software aparentemente legítimo, baixado de um resultado no topo do Google. Parece um programa comum, a instalação termina sem erros, nenhuma janela estranha aparece. Quarenta e oito horas depois, as credenciais corporativas da empresa estão sendo vendidas em um mercado clandestino. Esse cenário não é hipotético: é o funcionamento padrão de um infostealer.

O que é um Infostealer, como age e por que representa risco direto para sua empresa. Um infostealer, ou ladrão de informações, é um tipo de malware desenvolvido especificamente para coletar dados sensíveis do dispositivo infectado e transmiti-los silenciosamente a atacantes. Diferente de um ransomware, que paralisa a operação e se anuncia, o ladrão de informações trabalha na sombra. Ele entra, coleta e sai antes que qualquer alerta seja disparado.

Essa categoria de malware é diretamente responsável por grande parte dos vazamentos de credenciais corporativas que alimentam ataques de ransomware, fraudes financeiras e invasões a sistemas internos. Em 2024, estimativas apontaram cerca de 2,1 bilhões de credenciais roubadas globalmente por infostealers; no primeiro semestre de 2026, a Flashpoint registrou 7,4 milhões de dispositivos infectados, alta de 27% frente ao semestre anterior. Neste artigo, você vai entender como esse malware entra no sistema, o que ele rouba, quais famílias dominam o mercado agora e, principalmente, como se defender de forma prática.

Somos uma empresa especializada em Tecnologia da Informação, Microsoft 365 Suporte no Brasil e Instalação de Wifi 7. Atendemos presencialmente as cidades de Belo Horizonte e região metropolitana, e oferecemos atendimento remoto para Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Vitória, Goiânia e Porto Alegre. Atuamos com soluções e serviços de TI personalizados (outsourcing) e disponibilizamos profissionais capacitados para atuar in loco. Para demais localidades, consulte a viabilidade através do e-mail [email protected].

fale com um consultor

Como um infostealer entra no seu sistema sem você perceber

A infecção por ladrão de informações raramente depende de uma falha técnica sofisticada. Na maioria dos casos, ela começa com comportamento humano: um clique no lugar errado, um arquivo baixado sem verificação, uma instrução aparentemente legítima seguida à risca. Os vetores de distribuição mais comuns exploram exatamente essa confiança.

O phishing por e-mail e por aplicativos de mensagens continua sendo o canal principal. Anexos em formatos como ISO, PDF com macro e arquivos compactados entregam o código malicioso sem qualquer alarme visível. Software pirata, cracks e geradores de chave seguem como uma das rotas mais exploradas, especialmente em ambientes onde o controle de downloads é fraco ou inexistente. O envenenamento de resultados de busca, em inglês, SEO poisoning, e anúncios maliciosos completam o quadro: páginas falsas aparecem no topo do Google e entregam instaladores infectados para usuários que acreditam estar baixando um programa legítimo.

Uma técnica que ganhou força nos últimos anos é o ClickFix, uma armadilha de execução induzida. Nela, o usuário acessa uma página comprometida que exibe um CAPTCHA falso, uma mensagem de erro ou um alerta de atualização. A página instrui a vítima a abrir o PowerShell ou o terminal, colar um comando e executá-lo manualmente. O usuário se torna o operador da própria infecção, acreditando estar resolvendo um problema técnico. Esses ataques funcionam porque exploram confiança e urgência, não vulnerabilidades técnicas. O sistema de segurança mais sofisticado falha quando o usuário acredita estar seguindo uma instrução legítima.

Após a execução, o malware se instala em pastas como %AppData% ou %Temp%, cria persistência via tarefas agendadas ou chaves de registro e inicia a varredura por dados sensíveis em segundos a poucos minutos. Nenhuma janela se abre, nenhum alerta aparece. O processo é silencioso e, na maioria dos casos documentados por relatórios de resposta a incidentes, conclui a exfiltração inicial em tempo mínimo.

O que um ladrão de informações consegue roubar

Os infostealers não são oportunistas: eles têm alvos definidos e sabem exatamente onde encontrá-los. O Chrome, o Edge e o Firefox armazenam senhas em estruturas de banco de dados locais protegidas por criptografia vinculada ao perfil do sistema operacional. Esses malwares extraem esses bancos de dados e, usando as chaves disponíveis no próprio ambiente do usuário, conseguem recuperar as credenciais. Senhas de VPN, plataformas de nuvem, ERP e e-mail corporativo têm alto valor nos mercados clandestinos. Uma única credencial corporativa pode abrir caminho para toda a rede interna da empresa.

Os cookies de sessão representam um perigo ainda maior do que as senhas em si. Após o login, muitas plataformas emitem um cookie de sessão que mantém o usuário autenticado. Um stealer que rouba esse cookie não precisa da senha nem do segundo fator: ele simplesmente assume a sessão ativa. É assim que a autenticação multifator tradicional, baseada em SMS ou aplicativo autenticador, pode ser contornada, o token já foi usado, e o atacante herda a sessão sem precisar provar nenhuma identidade. Vale destacar que controles como expiração curta de sessão, vinculação ao dispositivo e reautenticação para ações sensíveis reduzem esse risco, embora não o eliminem completamente.

Além de credenciais e cookies, famílias como Vidar e Lumma varreram extensões de carteiras de criptomoedas, capturando chaves privadas e frases de recuperação diretamente do navegador. Dados de cartão de crédito preenchidos automaticamente, capturas de tela no momento da infecção e arquivos locais com nomes relacionados a senhas ou documentos também entram no pacote de exfiltração. Tudo isso é comprimido, criptografado e enviado a um servidor controlado pelos atacantes antes que um antivírus tradicional tenha tempo de reagir.

As famílias de infostealers mais ativas hoje

O ecossistema de ladrões de informações é dinâmico. Famílias surgem, crescem rapidamente e às vezes são desarticuladas por operações policiais, mas novas variantes substituem as antigas com velocidade surpreendente. Conhecer os nomes que dominam o mercado ajuda a entender a dimensão real da ameaça.

O Lumma, também conhecido como LummaC2, registrou crescimento acelerado em 2024 e 2025, com presença marcante na América Latina. A ESET registrou mais de 4 mil detecções únicas na região em 2025, tornando-o o infostealer mais detectado no período. Em maio de 2025, uma operação coordenada entre autoridades e empresas de segurança derrubou parte de sua infraestrutura, que foi reconstruída rapidamente. O RedLine foi historicamente dominante, com mais de 5 milhões de máquinas infectadas em conjuntos de dados analisados; sua infraestrutura foi derrubada na Operação Magnus no fim de 2024, mas variantes sucessoras continuam ativas. O FormBook liderou detecções globais no fim de 2025, com 17,3% de participação, distribuído em larga escala via campanhas de phishing.

Entre as ameaças emergentes, o SnakeStealer registrou o crescimento mais acelerado no primeiro semestre de 2025, superando famílias consolidadas em número de detecções. Esse movimento confirma um padrão claro: o mercado de infostealers não é estático, e a ameaça mais relevante de hoje pode ser substituída por uma nova família em questão de meses. Na América Latina, LummaC2, FormBook e Xloader lideram as detecções em 2025, posicionando o Brasil diretamente no radar dessas campanhas. Dados de 2024 indicam que o Brasil liderou a incidência de ataques com ladrões de informações na América Latina, respondendo por 19% dos ataques nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Por que empresas de todos os portes são o alvo preferido

O mito de que “minha empresa é pequena demais para ser alvo” não se sustenta quando se entende como infostealers operam. Eles são distribuídos em campanhas massivas e automatizadas que não escolhem vítimas por tamanho, mas por vulnerabilidade. Uma empresa contábil em Belo Horizonte com dez funcionários tem exatamente o perfil que os atacantes buscam: dados sensíveis de clientes e, frequentemente, baixo investimento em segurança.

Diferente de um dado bancário pessoal, uma credencial corporativa dá acesso a sistemas compartilhados: ERP, servidor de arquivos, e-mail da empresa, ferramentas de gestão e plataformas de nuvem. O malware entra em um dispositivo e potencialmente acessa tudo que aquele usuário pode acessar. Em empresas sem segmentação de rede ou controle de acesso bem definido, um único comprometimento pode resultar em movimento lateral para servidores críticos, culminando em ransomware ou exfiltração massiva de dados de clientes.

Escritórios de advocacia, clínicas, construtoras e pequenas empresas de serviços profissionais que armazenam documentos sensíveis, contratos e dados de pacientes representam alvos de alto valor. O custo de um comprometimento bem-sucedido vai além do prejuízo financeiro imediato: inclui danos reputacionais, obrigações de notificação previstas na LGPD e a perda de confiança de clientes que leva anos para ser recuperada.

Como identificar sinais de uma infecção por infostealer

A detecção precoce faz diferença entre um incidente contido e um comprometimento que se alastra por semanas. Alguns sinais aparecem diretamente no endpoint, outros se manifestam na rede ou em plataformas externas já depois da exfiltração.

Indicadores de comprometimento (IOCs) no endpoint

No endpoint, os sinais que merecem atenção imediata incluem:

  • Processos desconhecidos sendo executados a partir de %AppData% ou %Temp%, especialmente com processos-pai incomuns ligados a navegadores;
  • Navegador iniciado com a opção de linha de comando , remote-debugging-port, um padrão frequentemente usado para capturar sessões ativas;
  • Criação de arquivos compactados pouco antes de conexões de saída para destinos desconhecidos;
  • Picos inexplicáveis de uso de CPU ou memória sem processo identificado.

Esses sinais isolados podem ter explicações legítimas, mas combinados configuram um padrão de alerta claro.

Indicadores de comprometimento (IOCs) na rede e em plataformas externas

Na rede, conexões de saída para domínios desconhecidos ou para serviços como Telegram e Dropbox usados como canais de comando e controle indicam exfiltração em andamento. Os sinais pós-exfiltração aparecem em plataformas externas: logins de localização ou dispositivo incomum, novas sessões simultâneas em regiões diferentes e credenciais aparecendo em mercados da dark web são frequentemente o primeiro sinal de que o roubo já aconteceu, mesmo que a infecção tenha passado completamente despercebida na máquina infectada.

Como proteger sua empresa contra infostealers na prática

A proteção eficaz combina camadas técnicas e comportamentais. A segurança real vem da sobreposição de controles que aumentam o custo do ataque e reduzem o alcance do dano caso a infecção ocorra.

Autenticação e gestão de senhas

O ponto de partida é a autenticação. A MFA tradicional baseada em SMS ou aplicativo autenticador pode ser contornada pelo roubo de cookies de sessão, como explicado anteriormente. A proteção real exige MFA resistente a phishing: passkeys e chaves FIDO2, que vinculam a autenticação ao dispositivo físico e não podem ser replicadas por um atacante que tenha apenas o cookie roubado. Paralelamente, um gerenciador de senhas com senhas únicas e fortes para cada serviço elimina o risco de reutilização de credenciais. Desativar o armazenamento de senhas no navegador para contas sensíveis reduz diretamente o alvo mais explorado pelos ladrões de informações.

Gestão de atualizações e controle de downloads

Manter sistema operacional, navegadores e aplicativos atualizados fecha as brechas que infostealers exploram na instalação inicial. Em ambiente corporativo, isso precisa ser gerenciado de forma centralizada para garantir que nenhum dispositivo fique desatualizado. Políticas que bloqueiam downloads de executáveis não autorizados, macros e instaladores não aprovados eliminam a maioria dos vetores de entrada. A segmentação de rede não impede a infecção, mas limita radicalmente o alcance do malware caso ele já esteja dentro: sem acesso lateral, o comprometimento de uma estação de trabalho não se transforma automaticamente em comprometimento de servidores críticos.

Monitoramento e resposta a incidentes

Antivírus isolado não é suficiente contra ladrões de informações modernos, que usam técnicas de evasão e carregam cargas criptografadas. O monitoramento ativo de endpoints via EDR e a análise contínua de comportamento de rede permitem detectar o ataque antes que os danos se consolidem, em contraste com empresas que descobrem o comprometimento semanas depois, quando a exfiltração já aconteceu. Quando uma infecção é confirmada, o procedimento correto começa com o isolamento imediato do dispositivo, seguido de revogação de todas as sessões e tokens, redefinição de senhas a partir de um dispositivo limpo e, na maioria dos casos, reinstalação completa do sistema operacional da máquina comprometida.

Para empresas em Belo Horizonte e região que não têm equipe de TI interna ou não contam com especialistas em segurança, a 4Infra Consultoria oferece suporte no monitoramento de ameaças, implementação de firewall, gestão de segurança de rede e resposta a incidentes. Com mais de uma década atuando na região, a 4Infra funciona como um departamento de TI estruturado, sem os custos fixos de uma equipe própria.

O caminho mais curto entre a vulnerabilidade e o controle

Infostealer, o que é, em termos práticos, é um malware acessível, automatizado e financeiramente rentável que afeta qualquer empresa com credenciais de valor, o que inclui praticamente todas. O Brasil está entre os países mais atingidos da América Latina, e as campanhas não fazem distinção por porte ou setor.

A combinação de MFA resistente a phishing, gerenciador de senhas dedicado, atualizações em dia, controle de downloads e monitoramento ativo de endpoints reduz de forma expressiva a superfície de ataque. Nenhuma dessas medidas é exclusiva de grandes empresas: são controles aplicáveis a qualquer organização que decida levar segurança a sério.

Empresas em Belo Horizonte e região que buscam um parceiro para implementar e monitorar essas camadas de proteção encontram na 4Infra Consultoria experiência técnica e atendimento próximo para reduzir de forma mensurável o risco operacional. O primeiro passo é um diagnóstico honesto do ambiente atual: você não pode proteger o que não conhece.

Perguntas Frequentes (FAQs) – O que é um Infostealer e como ele rouba seus dados

O que é um infostealer?

Um infostealer, ou ladrão de informações, é um tipo de malware projetado para coletar dados sensíveis do dispositivo infectado e transmitir esses dados silenciosamente a atacantes. Diferente de um ransomware, ele não paralisa sistemas nem se anuncia: entra, coleta e sai sem disparar alertas visíveis.

Como um infostealer costuma infectar um computador ou dispositivo?

A infecção normalmente explora comportamento humano: phishing por e-mail ou apps de mensagem, anexos (ISO, PDF com macro, arquivos compactados), downloads de software pirata e anúncios maliciosos. Técnicas como SEO poisoning e o golpe ClickFix — que induz o usuário a colar comandos no PowerShell ou terminal — também são muito usadas.

O que exatamente um infostealer consegue roubar do meu sistema?

Esses malwares extraem bancos de dados locais de navegadores como Chrome, Edge e Firefox para recuperar senhas vinculadas ao perfil do sistema operacional, além de outras credenciais sensíveis. Em consequência, credenciais corporativas, senhas de VPN e logins armazenados podem ser exfiltrados e vendidos em mercados clandestinos.

O que é ClickFix e por que ele é perigoso?

ClickFix é uma armadilha de execução induzida em que uma página comprometida exibe um CAPTCHA falso, erro ou alerta e instrui a vítima a executar um comando no PowerShell ou terminal. É perigoso porque transforma o usuário no operador da própria infecção, contornando muitas defesas técnicas ao agir por confiança e urgência.

Quais sinais indicam que meu dispositivo pode estar infectado por um infostealer?

Muitas infecções são silenciosas e não exibem janelas ou alertas imediatos, por isso sinais indiretos incluem acessos não autorizados a contas, tentativas de login suspeitas ou notificações de que credenciais foram vazadas. Relatórios de incidentes também mostram que a exfiltração inicial pode ocorrer em minutos, então qualquer atividade anômala de contas deve ser investigada rapidamente.

Como posso me defender na prática contra infostealers?

Adote treinamento anti-phishing e políticas rígidas de controle de downloads, bloqueando software pirata e fontes não confiáveis; desabilite macros e limite a execução de comandos no PowerShell/terminal para usuários não administrativos. Use autenticação multifator, soluções de EDR/antimalware atualizadas e monitore acessos e exfiltração de credenciais para detecção precoce.

Por que os infostealers são um risco direto para empresas mesmo sem criptografar arquivos?

Porque eles roubam credenciais que permitem invasões posteriores, ataques de ransomware, fraudes financeiras e movimentação lateral em redes corporativas. Ao operar silenciosamente, os infostealers alimentam mercados clandestinos com credenciais — processo que sustenta grande parte dos ataques mais danosos.

logo-4infra-new-4

Contato e Informações

Conheça a 4Infra!

A 4infra atua com soluções e serviços para melhorar a produtividade e segurança da informação do seu negócio.

Saiba mais sobre como podemos auxiliá-lo no suporte à sua infraestrutura de TI.

🌍Acesse nosso site https://4infra.com.br para saber mais sobre nossos serviços.

📍 Estamos localizados em Belo Horizonte/MG na Rua Marechal Foch, 41, Pilotis no Bairro Grajaú.

⏰ Nosso horário de funcionamento é de segunda a sexta de 08:00hs às 18:00hs.

FALE CONOSCO

Leandro Keppel

Leandro está no mercado de TI desde 1997, onde já atuou em grandes empresas em Belo Horizonte, São Paulo, Brasília. Conhece do inicio ao fim tudo que envolve infraestrutura de TI, especialista em soluções Microsoft 365, Fortinet, Acronis e Redes Wireless, mas ao longo do tempo foi se aperfeiçoando e passou a cuidar da parte Administrativa, Marketing e Financeira na 4infra e como um bom Atleticano sempre está presente nos jogos do GALO.

agosto 17, 2026

Deixe o primeiro comentário