O aterramento para cabeamento estruturado e racks de rede, regulamentado pela norma internacional ANSI/TIA-607-D e pelas normas brasileiras ABNT NBR 14565 e NBR 5410, consiste na interligação de todos os armários metálicos, patch panels, switches e eletrocalhas a um barramento de equipotencialização único (TMGB/TGB). Essa infraestrutura drena ruídos eletromagnéticos para a terra, evita que cabos blindados funcionem como antenas de interferência e protege os equipamentos contra queima por surtos elétricos e descargas atmosféricas.
Em grande parte dos edifícios comerciais, o rack de TI é tratado apenas como um móvel metálico: os equipamentos são parafusados, ligados na tomada elétrica e nenhum cabo de equipotencialização é conectado à estrutura do armário. O resultado aparece na forma de portas de switches queimando após tempestades, perda misteriosa de pacotes em cabos blindados e choques de eletricidade estática quando o técnico toca na carcaça dos servidores.
Neste guia de engenharia, detalhamos a arquitetura completa da norma TIA-607, explicamos o perigo das hastes de terra isoladas, apresentamos a tabela de dimensionamento das barras TMGB/TGB e mostramos o passo a passo para aterrar racks e eletrocalhas com precisão.
Somos uma empresa especializada em Tecnologia da Informação, Microsoft 365 Suporte no Brasil e Instalação de Wifi 7. Atendemos presencialmente as cidades de Belo Horizonte e região metropolitana, e oferecemos atendimento remoto para Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Vitória, Goiânia e Porto Alegre. Atuamos com soluções e serviços de TI personalizados (outsourcing) e disponibilizamos profissionais capacitados para atuar in loco. Para demais localidades, consulte a viabilidade através do e-mail [email protected].

Sumário
Os 6 Elementos da Arquitetura de Aterramento segundo a Norma TIA-607
A norma ANSI/TIA-607-D divide o sistema de aterramento e equipotencialização de telecomunicações em seis componentes estruturais que trabalham em conjunto com a malha elétrica predial:
| Sigla Oficial | Nome Técnico do Componente | Função Prática na Infraestrutura | Especificação Física Mínima |
|---|---|---|---|
| 1. TMGB | Telecommunications Main Grounding Busbar | Barra principal instalada na Entrada de Facilidades ou Sala de Servidores central, ligada direto ao BEP do prédio. | Barra de cobre eletrolítico estanhado com 6 mm de espessura por 100 mm de largura. |
| 2. TGB | Telecommunications Grounding Busbar | Barra secundária instalada dentro de cada Sala de Telecomunicações nos andares do edifício. | Barra de cobre estanhado com 6 mm de espessura por 50 mm de largura com isoladores. |
| 3. TBB | Telecommunications Bonding Backbone | Cabo tronco vertical de cobre que sobe pelos shafts interligando a barra principal (TMGB) a todas as barras de andar (TGB). | Condutor de cobre isolado de 16 mm² (6 AWG) até 95 mm² (3/0 AWG), conforme a distância. |
| 4. GE | Grounding Equalizer | Condutor horizontal que conecta as barras TGB à estrutura metálica do edifício em prédios verticais para equalizar potenciais. | Instalado no topo do edifício e a cada 3 andares intermediários. |
| 5. RBB | Rack Bonding Busbar | Barramento interno fixado vertical ou horizontalmente dentro do rack de 19 polegadas para receber os terras dos equipamentos. | Barra de cobre dedicada fixada na estrutura do rack sem barreira de tinta isolante. |
| 6. TEBC | Telecommunications Equipment Bonding Conductor | Cabos e cordoalhas flexíveis que ligam os switches, servidores, patch panels, portas do rack e eletrocalhas até a barra TGB. | Condutor de cobre mínimo de 6 mm² (10 AWG) ou cordoalha trançada flexível. |
O que é o barramento TMGB e TGB? O TMGB é a barra principal de cobre do edifício, ligada ao BEP, e o TGB é a barra secundária instalada em cada sala técnica. Na prática, é por esse par de barramentos que todo o terra de telecomunicações se distribui.
2 Erros Fatais de Aterramento que Queimam Switches e Travam a Rede
A falta de alinhamento entre a equipe de elétrica predial e a equipe de TI costuma gerar duas falhas graves nas empresas:
1. O Mito Perigoso do “Terra Isolado Exclusivo para a TI”
Durante décadas, espalhou-se no mercado o hábito incorreto de cravar uma haste de cobre isolada no jardim ou no subsolo exclusivamente para o rack de informática, separada do aterramento elétrico geral do prédio.
A norma brasileira ABNT NBR 5410 (mantida pela ABNT) proíbe terminantemente a existência de terras independentes não interligados na mesma edificação:
- O servidor ou switch está ligado na tomada de energia (referenciada ao terra elétrico do quadro principal) e, ao mesmo tempo, conectado pela carcaça ou pelo cabo de rede à haste isolada.
- Quando cai um raio nas proximidades ou ocorre uma falta de fase na concessionária, surge uma diferença de potencial de milhares de volts entre os dois terras.
- Essa tensão busca o caminho mais curto para se igualar: ela atravessa a placa-mãe do switch e as portas RJ-45, destruindo instantaneamente os ativos do rack.
O segredo da proteção elétrica não é isolar o terra, mas garantir a equipotencialização do rack de rede, como exige a NBR 5410: todas as massas metálicas, estruturas, para-raios (SPDA) e o barramento principal de TI (TMGB) devem estar solidamente unidos ao Barramento de Equipotencialização Principal (BEP) do edifício, operando sob o esquema de aterramento TN-S (onde os condutores Neutro e Terra caminham separados por toda a instalação).
2. O “Efeito Antena” em Cabos Blindados Cat6a e Cat7 Não Aterrados
Quando um projeto especifica cabos blindados (F/UTP ou S/FTP) — muito comuns em implantações de cabos Cat6a e Cat8 ou em ambientes industriais —, a folha de alumínio que envolve os pares trançados tem a função de captar o ruído eletromagnético externo e escoá-lo para a terra.
Se o instalador montar conectores comuns de plástico ou esquecer de ligar o fio terra do patch panel descarregado blindado ao barramento do rack, a blindagem fica eletricamente “flutuando”. Em vez de proteger os dados, a fita metálica passa a funcionar como uma antena que absorve interferências de motores, elevadores e luminárias LED e despeja esse ruído magnético diretamente nos pares de comunicação, gerando perda severa de pacotes e queda de velocidade.
Tabela de Dimensionamento do Cabo Troncal (TBB) por Distância
Para interligar a barra principal (TMGB) às barras das Salas de Telecomunicações dos andares, a bitola do condutor de cobre TBB não pode ser escolhida de forma aleatória. Quanto maior a distância vertical, mais grosso deve ser o cabo para manter a baixa impedância:
| Comprimento Linear do Cabo TBB (Metros) | Bitola Mínima Exigida pela TIA-607 (Padrão AWG) | Bitola Comercial Equivalente no Brasil (mm²) |
|---|---|---|
| Menos de 4 metros | 6 AWG | 16 mm² |
| De 4 a 6 metros | 4 AWG | 25 mm² |
| De 6,1 a 8 metros | 3 AWG | 35 mm² |
| De 8,1 a 10 metros | 2 AWG | 35 mm² a 50 mm² |
| De 10,1 a 13 metros | 1 AWG | 50 mm² |
| De 13,1 a 16 metros | 1/0 AWG | 50 mm² a 70 mm² |
| De 16,1 a 20 metros | 2/0 AWG | 70 mm² |
| De 20,1 a 26 metros | 3/0 AWG | 95 mm² |
| Acima de 26 metros | 4/0 AWG | 120 mm² |
Como Aterrar Eletrocalha, Leitos de Cabos e o Rack de Rede
Um erro comum em vistorias de engenharia é achar que, por serem feitas de aço galvanizado, as eletrocalhas já estão aterradas apenas pelo encaixe dos parafusos de união. Na prática, a oxidação natural do zinco, a poeira ou a pintura eletrostática criam resistência elétrica entre uma peça de 3 metros e outra.
Para garantir blindagem eletromagnética e segurança contra choques (caso um cabo elétrico decapado encoste na calha), a execução deve seguir três regras:
- Jumpers de Continuidade em Todas as Emendas: Cada junção entre dois trechos de eletrocalha, curva ou derivação deve receber uma cordoalha flexível de cobre estanhado (ou cabo flexível verde-amarelo de no mínimo 16 mm²) fixada com parafusos, porcas e arruelas de pressão dentadas (serrilhadas) que mordem o metal e garantem contato elétrico perfeito.
- Remoção da Tinta Epóxi nos Pontos de Aterramento do Rack: Os racks de telecomunicações recebem pintura eletrostática a pó (epóxi), que é um isolante elétrico. Parafusar um terminal de terra diretamente sobre a tinta preta ou bege do rack resulta em aterramento nulo. É obrigatório raspar a tinta no ponto exato do parafuso até expor o aço vivo, usar arruelas dentadas e aplicar pasta antioxidante condutiva.
- Cordoalhas nas Portas e Tampas Laterais: As portas frontais, traseiras e tampas removíveis do armário acumulam eletricidade estática e devem ser unidas ao chassi principal do rack através de rabichos de cordoalha de cobre trançada com terminais olhal.
Passo a Passo: Como Fazer o Aterramento de Rack de Rede Conforme a Norma
Ao executar uma nova montagem de rack de rede ou adequar um armário existente, siga este protocolo técnico em 6 etapas:
Etapa 1: Valide a Malha Predial e Instale a Barra TGB na Sala Técnica
Verifique com um instrumento de medição (terrômetro ou alicate de loop de terra) a continuidade do barramento de terra do quadro elétrico da sala até o BEP do edifício. Fixe a barra de cobre estanhado (TGB) na parede da sala técnica sobre isoladores de epóxi, a uma distância mínima de 50 mm da alvenaria para facilitar a conexão dos terminais.
Etapa 2: Instale o Barramento Interno do Rack (RBB)
Fixe uma barra de cobre exclusiva na coluna vertical interna do rack (ou uma barra horizontal de 19 polegadas). Certifique-se de que haja contato metálico direto com a estrutura do armário ou utilize os pontos de aterramento de fábrica com arruelas serrilhadas.
Etapa 3: Conecte o Rack à Barra TGB com Terminais de Compressão Duplo Olhal
Lance um cabo de cobre isolado verde de no mínimo 16 mm² (6 AWG) entre a barra TGB da parede e a barra interna do rack. A norma TIA-607 exige o uso de terminais de compressão de cobre estanhado de furo duplo (duplo olhal) prensados com alicate hidráulico. O duplo parafuso impede que o terminal gire ou afrouxe com a vibração térmica ao longo dos anos.
Etapa 4: Aterre o Patch Panel Blindado, os DIOs e o Chassi dos Switches
Conecte os fios de aterramento traseiros de todos os patch panels blindados, Distribuidores Internos Ópticos (que recebem cabos com elementos metálicos de tração) e os parafusos de aterramento de chassi (ground lug) dos switches gerenciáveis e nobreaks diretamente à barra interna do rack, sem fazer ligações em série (“daisy-chain”) de um equipamento para o outro.
Etapa 5: Proteção contra Surtos para Evitar a Queima de Switches (DPS nos Links Externos e na Alimentação)
Instale Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS Classe II e Classe III) no quadro elétrico dedicado que alimenta as réguas PDU do rack. Para rotas de rede que cruzam áreas externas — como câmeras em postes no cabeamento para CFTV IP —, instale protetores de surto Ethernet RJ-45 aterrados antes da entrada no switch, ou substitua o enlace externo por fibra óptica no backbone.
Etapa 6: Identifique os Condutores e Ateste a Continuidade no Laudo
De acordo com o padrão de cores e identificação TIA-606-C, todos os cabos de equipotencialização devem ter capa verde ou verde-amarela e receber etiquetas de alerta (“ATENÇÃO: CONDUTOR DE ATERRAMENTO DE TELECOMUNICAÇÕES – NÃO REMOVA”). Em cabos metálicos blindados, valide a continuidade da malha de blindagem de ponta a ponta durante a certificação de rede com Fluke Networks.
Precisa adequar o aterramento e proteger os racks de rede da sua empresa?
Deixar os seus switches, servidores e storages operando em racks sem equipotencialização normativa coloca milhares de reais em equipamentos sob o risco constante de queima por surtos elétricos e degrada a performance da sua rede.
A 4infra Consultoria projeta e executa sistemas completos de infraestrutura de redes, instalação de barramentos TMGB/TGB, aterramento de eletrocalhas, adequação elétrica para TI e reorganização de rack de rede com emissão de laudo técnico e ART em Minas Gerais. Veja também quanto custa um projeto de cabeamento estruturado completo e normatizado.
👉 Proteja a operação da sua empresa: solicite uma vistoria técnica de cabeamento estruturado em BH e região metropolitana com a equipe de engenharia da 4infra Consultoria em TI.
Perguntas Frequentes (FAQs) – Aterramento para Cabeamento Estruturado: Norma TIA-607
-
Qual deve ser o valor máximo em Ohms do aterramento para um rack de TI?
Mais importante do que um número isolado de resistência de terra em Ohms é garantir a equipotencialização total (diferença de potencial zero entre o terra elétrico e o terra de lógica) e uma baixa impedância de loop. Como referência de engenharia de campo para salas de servidores e telecomunicações, busca-se uma resistência de aterramento global inferior a 5 Ohms (e idealmente menor que 1 Ohm em data centers críticos), com resistência de continuidade entre o rack e a barra TGB inferior a 0,1 Ohm.
-
Posso usar o fio terra da tomada elétrica comum para aterrar toda a estrutura do rack?
O pino central das tomadas das réguas PDU aterra internamente as fontes dos aparelhos, mas não substitui o condutor de equipotencialização estrutural (TEBC) da norma TIA-607. O chassi do rack, as portas, as eletrocalhas e a blindagem dos patch panels exigem um condutor dedicado de maior seção (mínimo de 6 mm² a 16 mm²) ligado diretamente à barra de equipotencialização (TGB) para escoar correntes de interferência de alta frequência sem poluir a alimentação das fontes.
-
Preciso aterrar o rack mesmo se eu só usar cabos UTP (sem blindagem)?
Sim. Mesmo quando o projeto utiliza cabos U/UTP sem blindagem metálica, o aterramento estrutural do rack e das eletrocalhas é obrigatório por três motivos: protege os técnicos contra choques elétricos caso um cabo de força 220V desencape e encoste na lataria do armário; descarrega a eletricidade estática (ESD) que queima portas eletrônicas dos switches; e reduz a indução eletromagnética irradiada ao longo das calhas metálicas.
-
Quem pode assinar o projeto e o laudo de aterramento de TI?
A execução e a medição ôhmica do sistema de aterramento e equipotencialização devem ser acompanhadas por profissional habilitado com emissão de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrada no CREA. Esse documento é exigido por seguradoras patrimoniais e auditorias de segurança do trabalho (NR-10).

